Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

The Horrors



"Cheguei e eles já estavam tocando. Deixei rápido minha mochila no cloakroom e corri para bater nas pessoas na pista. Eu tava na pilha. Me surpreendi com o tamanho do lugar; acho que cabiam ao todo uns dois mil negos. Veio “Count In Fives” e quando me dei conta eu estava sendo pisoteado e pisoteando pessoas. Empurra-empurra nervoso, logo senti que tinha uma galerinha agindo de má fé. A mesma turma escrota que freqüenta os shows do Babyshambles. Fui jogado no meio da rodinha, mas saí logo dali. Caí em cima de uma mina, me apoiei nos seus peitos. Acho que doeu pra ela. A banda foi tocando, “Draw Japan” e “Death At The Chapel”, pouca luz no palco.

Mais um show que a porrada toma conta. A primeira vez que isso aconteceu com este escriba foi com os Manics em 2001, no Reading Festival. Prometi pra mim mesmo nunca mais. Mas no ano seguinte fui ver Yeah Yeah Yeahs no mesmo festival e da-lhe pontapés. Tive que sair de crowd-surf, senão ia desmaiar. Depois rolou mais algumas vezes com Libertines e Babyshambles, e só. Cansei dessa. Mas as vezes meu ‘dark-side’ vem me visitar e entro na pilha. Nada mais apropriado que atender as vontades do capeta no show do Horrors. Eu só não sei como tem lindas garotas de 17 anos que agüentam esse inferno. Certamente estão com seus diabinhos tilintando dentro de si. Aí “Thunderclaps” veio com todo o seu groove. Puta música fodida. Da-lhe Cramps. Em “Gloves” tive o primeiro pensamento de sair dali e ir para um lugar mais seguro.

Aos trancos e barrancos eu conseguia ficar de pé. Numa situação dessas, a única coisa que você tem que fazer é bater. Se ficar só se defendendo, só se equilibrando, você cai e te pisam na cara. Bater nos filhos da puta ao seu redor é a única forma de sobreviver. Senti meu bolso e percebi que meu celular não estava lá. Caralho, como foi cair do bolso da minha calca jeans??? Estranho. Sei que eu não estava nas situações mais apropriadas, mas o bolso da frente do meu jeans é apertado. Como meu móbile saiu de lá? Porra, porra. Todos meus contatos... Fiquei meio puto, mas desencanei.

Tava até cantando em “Excellent Choice” quando levei ma botinada na canela. Puts, vi estrelas. Caralho, como dói uma pancada na canela.... Dói muito... Fiquei me contorcendo. Era hora de sair dali. Quando me dou conta, Farris dá um dos maiores moshs que eu já vi na vida. Ele tomou distância no palco, correu e pulou uns quatro metros platéia adentro. Nossa, deve ter matado um. A banda continuou tocando enquanto tentavam resgatar Farris, mas tava difícil. O cara tava no meião. Vi acho eu umas cem pessoas caídas no chão. Eis que depois de alguns minutos ele retorna e já engata em “Sheena Is a Parasite”. Mais porrada. A coisa ficou estranha. A música acabou e alguns da banda saíram do palco. Silêncio. Depois a banda toda caiu fora, mas as luzes continuaram apagadas. Porra, acho que eles tinham tocado umas oito músicas apenas. Alguns começaram a vaiar. Ninguém sabia muito o que tava rolando e minha canela ainda doía pra caralho. Tava me afastando quando as luzes se ascenderam e as vaias ecoaram pra valer. Deve ter rolado alguma treta por causa daquele mosh.

Com as luzes acesas, fui procurar meu mobile no chão da pista. Nada. Percebi que tinha um monte de gente fazendo o mesmo. Todo mundo procurando algo na pista. Perdi as esperanças de ter meu mobile e contatos de volta, e saí dali. Passei pelo Bobby Gillespie a caminho da saída. Lá, no meio de pessoas sangrando e algumas brigas e discussões rolando, decidi reportar para um segurança que eu tinha perdido o mobile. O sujeito falou para eu conversar com o chefe da segurança, pois um monte de gente também tinha perdido coisas. Aí o chefe me diz que lá dentro hoje tinha uma quadrilha especializada em roubar celulares e que prenderam um dos caras e que mais ou menos 50 pessoas tinham reportado a perda de celulares e que a polícia já estava a caminho. Caralho, bem que eu senti a bad-vibe na galera hoje. Saquei na hora a energia dos filhos da puta, vermes do inferno. No meio da pancadaria e empurra-empurra, típico rock’n’roll, os caras enfiam a mão no seu bolso e tomam seu celular. Bando de cuzões.

Mas não adianta chorar pelo leite derramado, eu pedi para aquilo acontecer. Fui ali no meio da bandidagem, no meio dos função, dar e levar porrada, é claro que alguma merda tinha que rolar. Vi uma mina chorando pela sua maquina digital roubada, com todas as fotos de suas férias. Outro mano tava bem puto com a perda de seu celular. Desencanei. Tinha duas opções, ou ficar lá esperando a polícia e ver no que ia dar, ou deixar meus details com os funcionários do Coronet e sair fora. Decidi vazar. Minha canela ainda doía quando eu estava na plataforma do metrô. Fazer o que, eu tava na pilha, oras."(1)


"...lançaram o primeiro álbum chamado de Strange House. Uma total decepção. Mesclagem de elementos do garage rock, punk, surf, tudo bem legal na teoria. Mas, na mão deles não foi essa maravilha toda. O disco é uma catástrofe, aliado a uma má produção e canções ruins, causando indescritiveis sensações negativas e de nojo ao escuta-lo da primeira à última faixa. É necessário muita força de vontade."(2)

Myspace
Strange House

publicado por Ridwan às 13:23
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1 comentário:
De Olivia a 19 de Janeiro de 2008 às 12:31
vai a merda não sabes o k é musica

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