Quinta-feira, 5 de Julho de 2007

Ser diferente não o sendo

"O Indie-Rock está na moda. Suponho que isto não seja novidade para ninguém, basta ver o cartaz do Super Bock Super Rock para perceber isso mesmo. Correndo o risco de parecer presunçoso, tenho de admitir que não gosto desta moda. Mais pretensioso ainda, não gosto de modas no geral. Como tal, não gosto de ver bandas que eu gosto bastante serem ouvidas por tanta gente. Suponho que sinto a necessidade de me sentir diferente. Gosto que aquilo que eu oiço seja pessoal, gosto de pensar que a maior parte das pessoas não conhece as músicas que constituem a banda sonora da minha vida, gosto de pensar que sou das poucas pessoas que se identifica com determinada música, gosto de sentir que não sou igual a todas as outras pessoas, que há alguma coisa em mim que me torna diferente e que isso se expressa na música que oiço. Penso que todos somos assim, toda a gente sente a necessidade de vincar a sua personalidade e, ao mesmo tempo, sentir que não está só. Ser diferente não o sendo. E a música é um excelente exemplo disso mesmo. Obviamente não vou deixar de gostar de uma banda de que gostava por ela se tornar mais conhecida, nem vou dizer que não gosto de uma banda só por ela ser conhecida mas, como já disse, gosto de pensar que aquela música específica que me define só se aplica a mim e a mais meia dúzia, e que encontrando uma pessoa dessas meia dúzia tudo faz sentido. Mais uma vez, penso que somos todos assim, mas não sei se esse sentimento não estará um pouco mais ligado a mim por não ser, como o meu professor de Cambridge dizia em relação a ele próprio, “a people person”. Ou talvez seja exactamente o contrário, sou cada vez menos uma people person por me sentir cada vez mais diferente das outras pessoas e menos interessado nelas . Deve ser por isso que tenho tendência para bandas com letras muito pessoais, para quem as escreveu e para quem as ouve. A ironia disto tudo é que, o que eu oiço, é ouvido por milhões de pessoas que sentem o mesmo que eu."
 
publicado por Ridwan às 06:54
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4 comentários:
De Hugo a 5 de Julho de 2007 às 21:52
Isso das modas é muito relativo... apesar da sensação de maior impacto mediático do dia de SBSR com os Arcade Fire, a verdade é que li nos jornais que nesse dia estavam 20 mil pessoas a assistir e no de Metallica tinham estado 50 mil. Ironias...
De Ridwan a 6 de Julho de 2007 às 02:27
Tens que ter em conta a enorme quantidade de concertos e festivais direccionados para o publico "indie"\"rockeiro"\etc em comparação com os "metaleiros",e foi o 2º festival em lx no espaço de 1 mês,não há carteira que aguente.
De IndieStyle@sapo.pt a 5 de Julho de 2007 às 22:25
Excelente texto e tocaste em alguns pontos com os quais concordo contigo. Eu também tenho uma necessidade de sentir que a música que oiço me pertence a mim.
Excelente Blog!
De Ridwan a 6 de Julho de 2007 às 04:11
Aiii...equivocaste-te,o texto tem aspas,está em itálico e tem o link no final,logo não fui eu que o escrevi,mas tal como tu,concordo com o que é escrito.Também tenho essa necessidade,esse sentimento de ser diferente,"só eu é que oiço a banda x ou y",mas no meu caso isso acontece em parte porque tenho gostos diferentes(não é qualquer um que ouve Body Count e Damien Jurado o mesmo nr de vezes na mesma semana) dos meus amigos e colegas,mas ...sem duvida que faço por isso.
O teu blog também é porreiro,só tem um problema,é indie ;)

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